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O lado romântico da jardinagem

O lado romântico da jardinagem

Minha mãe sempre diz: "você gosta é de inventar moda, é que nem fogo de palha". E é verdade, quase tudo que me meto a fazer, abandono pela metade.

anao de jardim

O problema é que eu tenho esse grande defeito de vislumbrar o lado romântico das coisas, principalmente de profissões. Por exemplo, quando penso no carteiro, imagino aquele do filme "O carteiro e o poeta", pedalando sua clássica bicicleta naquele cenário paradisíaco, entregando cartas de amor, etc. Mas vai ver como é a vida do carteiro brasileiro, subindo ladeira, entrando na periferia, sem asfalto, naquele sol de rachar mamona, pra entregar contas de luz, ação de despejo, etc.

Agora veja o caso do meu jardim. A jardinagem parecia uma coisa muito doce e tranquila até o momento em que resolvi exercê-la. Eu me imaginei sereno, com meu chapéu de palha, arrancando calmamente com as mãos as ervas daninhas, com todo cuidado podando as roseiras, acariciando as pétalas. Praticamente o deus da jardinagem cuidando dum pequeno paraíso e das pequenas criaturas que dependem de mim para viverem felizes. Na prática não está sendo bem isso.

Descobri que gosto muito da natureza. Ela lá e eu aqui. Formigas, tatuzinhos, lagartixas, aranhas e outros pequenos seres desconhecidos, tudo isso pula em cima da gente quando resolvemos alterar o status quo de um canteiro de jardim há muito abandonado a própria sorte.

Concluí que o melhor é deixar as coisas seguirem seu curso natural. Essa é a mais antiga batalha do planeta: a natureza busca a harmonia vegetal enquanto o homem luta contra a entropia. Essa é uma guerra na qual não quero lutar. Por isso sou a favor das cidades suspensas.

Mas estou lá, arrancando mato. Contratar um jardineiro de verdade não está previsto no meu orçamento de férias...