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O que está acontecendo?

31/03/2024

É insistir ou desistir

Felicidade, comecei a cursar uma faculdade. É a quarta vez. Não cheguei a terminar nenhuma das anteriores, mas estou sentindo que desta vez vou conseguir o meu canudo de papel!

Certo. Então vou precisar ler bastante coisa que invariavelmente estará em PDF. Desafortunadamente o meu Kindle não é bom para isso, com o agravante de que vou precisar ler coisas em que as cores e ilustrações podem ser importantes. A solução é arranjar um tablete, já que no momento não tenho nenhum.

Então toca procurar um bem barato. Depois de duas semanas de pesquisas as alternativas se resumiram a um Kindle Fire novo/usado ou um iPad dos mais velhos. Qualquer outra opção seria dispendiosa ou decepcionante. A maior parte dos tablets novos e baratos não presta sequer para ler, pois possuem telas horríveis. E na parte de usados é um puro show de horrores. Isso é triste porque estamos em 2024 e lá vão 14 anos desde o lançamento do iPad, o primeiro bom tablet popular.

Optei por um iPad também porque uma tela maior castigaria menos essas retinas fatigadas. Mas, como não poderia ser diferente, tentei economizar demais e terminei por jogar dinheiro fora. Comprei um modelo de primeira geração no Mercado Livre cuja descrição dizia que ele não estava ligando, embora tela e corpo aparentassem estar OK. Eu tinha lido que esses iPads antigos apresentavam esse problema quando a bateria descarregava totalmente e bastaria uma carga direta na bateria para reviver o bicho. Estava barato e poderia ser uma oportunidade, então mandei vir. Ops, não vem com cabo, e é mais um troco num cabo. Tudo baratinho!

Chega o tablet, trem pesado, parece mesmo estar bom, película na tela, corpo sem defeitos. Foi bem cuidado. Desmontei. Esses de primeira geração são muito fáceis de desmontar, não são colados como os posteriores. Chego nos terminais da bateria e dou uma carga de algumas horas. Finalmente ele liga. A maçã aparece, a bateria vazia com um risco vermelho aparece. E ele começa um loop. Certo, eu li sobre isso também. Basta entrar em modo DFU e deixar ele carregando durante algumas horas, dessa vez pelo próprio carregador, e tudo ficará bem. Para resumir a história: horas de trabalho, desmonta, monta, a bateria não carrega, em dado momento de desatenção apliquei uma carga excessiva e o bagulho não ligou mais. O barato sai caro. Fim.

Então voltamos para o ponto inicial. Dessa vez encontrei um iPad 2 A missão, igual ao que eu tive mais de dez anos atrás. Por incrível que pareça já adquiri um produto Apple novo. Foi na época mesmo em que chegou no Brasil essa segunda geração. Hoje seria impossível.

O iPad 2 chega e está com o botão Home falhando, mas tudo bem. Tela sem riscos ou defeitos, corpo sem muitos machucados, bateria ainda firme e forte. Agora é sentar e ler. Ufa! Mas claro que ainda não. De repente estou revisitando meu mundo digital de dez anos atrás. Instalando o iTunes no computador, logando na conta da Apple para baixar alguns apps daqueles tempos longínquos. O tablet é bom, mas a internet evoluiu e nem tudo funciona como antes. Algumas coisas exigem um caminho alternativo. Vou usar para estudar, então basta o iBooks e o aplicativo do Kindle para leitura e o Word para anotações sincronizadas pelo OneDrive. Simplesmente (ainda) funciona!

O CASO DO APLICATIVO DESAPARECIDO

Mas na verdade a intenção desse texto todo é contar um fato meio curioso. Enquanto eu baixava alguns apps antigos que estavam na minha conta e corria a lista relembrando tudo que eu já havia instalado alguma vez no iPad que tive, com aquele sentimento nostálgico totalmente inútil, notei a ausência de um app chamado Portastudio. Tascam Portastudio é marca e modelo de um gravador de áudio multipista icônico que usava fitas K7, sabe? Tudo bem não saber, é coisa de velho ou hipster. Era um gravador assim:

Foto do gravador multitrack Tascam Porta One
Créditos: https://en.wikipedia.org/wiki/TASCAM

E o app em questão era assim:

Foto do gravador multitrack Tascam Portastudio versão iPad
Créditos: https://tascam.com/us/product/portastudio/top

Eu, da mesma forma que os cientistas, fiquei intrigado. Por que o aplicativo não estava ali? Era um aplicativo inútil, mas bonito. E é meu, paguei por ele, ora bolas! Será que paguei? Será que sonhei, será que existiu? Então depois de algumas pesquisas consegui ver um relatório de todos os apps e lá estava ele, dois dólares e noventa e nove centavos americanos, sim senhor!

Não sei exatamente a razão, mas ele não aparecia em nenhuma busca e não havia meio de baixá-lo. Talvez seja por causa de localização da loja, talvez ele estivesse apenas na loja americana e na época eu tenha trocado de endereço para comprá-lo. Segundo a página da Tascam, que inclusive disponibiliza um manual dele, ele foi retirado das prateleiras mesmo.

Bom, não importa. O importante é que existe uma maneira de baixar o app caso o iPad tenha sido libertado pelo poder do povo (sim, jailbreak). Tem um tutorial aqui: https://gist.github.com/minif/473310d7c556caadf4f2ed2d97389574

Resumidamente você modifica alguns códigos de qualquer aplicativo, trocando o número de identificação e fazendo a loja da Apple baixar o app que você quer, daí ele aparece na sua lista, olha só que bacana. Só precisei fazer o jailbreak usando um tal de Phoenix e depois um programa que substitui o iTunes chamado 3uTools. Tudo muito fácil. Só precisando de tempo, tempo esse que eu deveria usar para estudar.

Concluindo, fica aí a dica caso algum aplicativo de estimação tenha desaparecido.